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Amamentar dói? A dor na amamentação não tem de ser normal!

Foto do escritor: paiscomnorte
paiscomnorte
1 de set.
3 min de leitura

“Amamentar dói. Nos primeiros tempos é assim.” Quantas de nós já ouviram esta frase? A ideia de que é preciso “aguentar” a dor para conseguir amamentar continua muito presente. Como se os mamilos tivessem de ganhar resistência, como se as gretas fizessem parte do processo ou como se sentir dor em cada mamada fosse simplesmente o preço a pagar por escolher amamentar. A verdade é que não tem de ser assim. Nos primeiros dias pode existir alguma sensibilidade ou desconforto, uma vez que a mãe e o bebé estão a adaptar-se um ao outro, estão a aprender posições, a encontrar a melhor forma de fazer a pega e a perceber como tudo isto funciona.

Mas há uma diferença importante entre desconforto e dor. Uma dor intensa, que se mantém durante a mamada, que não melhora com o passar dos dias ou que até vai piorando não deve ser encarada como uma parte normal da amamentação. E, sobretudo, não deve ser algo que a mãe simplesmente tem de suportar. 




Quando temos uma dor em qualquer parte do corpo, aquilo que normalmente fazemos é perceber porque é que doi, e depois ou conseguimos resolver ou teremos de marcar uma consulta para se resolver esta dor. Com a amamentação não é diferente. Na maioria das situações, a dor está relacionada com a forma como o bebé pega na mama. Quando a pega não é eficaz, o mamilo pode ficar sujeito a uma maior pressão e atrito, e por isso podem começar a surgir dor, gretas e, por vezes, verdadeiras feridas. Mas a pega não é a única possibilidade. A posição do bebé durante a mamada também pode não estar a facilitar uma boa pega. Pode existir ingurgitamento mamário (que é quando a mama está demasiado cheia), podem já existir lesões nos mamilos ou pode estar presente uma inflamação ou infeção da mama. Por isso, perante uma mãe com dor, a pergunta não deveria ser: “Quanto tempo é que consegue aguentar?”, mas sim: “Porque é que está a doer?” 

Para todos os problemas com que nos deparamos no nosso dia a dia, a sua resolução passa muitas vezes por encontrarmos a causa dos mesmos. Na amamentação o processo é similar! É então importante percebermos quando é que a dor deixa de ser “um desconforto dos primeiros dias”. O nosso corpo é uma máquina muito bem feita e muito inteligente por sinal, e, portanto, é ele que nos vai dando sinais que não devemos ignorar. Uma dor intensa durante toda a mamada merece ser avaliada. O mesmo acontece quando aparecem gretas ou feridas nos mamilos, sangramento, uma mama muito vermelha, quente ou particularmente dolorosa ou quando surge febre. Mas não devemos olhar apenas para a mãe, pois o bebé também nos dá informação importante. Se este apresentar dificuldade em mamar de forma eficaz, se adormecer constantemente sem conseguir alimentar-se adequadamente ou se existirem dificuldades no aumento de peso, temos de perceber o que é que se está a passar. 

Esperar várias semanas na esperança de que “passe sozinho” pode significar prolongar desnecessariamente uma situação de dor e tornar a amamentação cada vez mais difícil. Quanto mais cedo identificarmos o problema, mais cedo podemos intervir, sendo que muitas vezes, pequenos ajustes podem fazer uma enorme diferença. Pode ser necessário rever a pega do bebé, experimentar outra posição para amamentar ou perceber se o bebé está realmente a conseguir abrir bem a boca e abocanhar uma boa parte da aréola, em vez de ficar apenas no mamilo. E há situações em que é importante ter alguém ao lado que consiga observar uma mamada e perceber o que está efetivamente a acontecer. 

Pedir ajuda não significa que a mãe falhou, nem tão pouco significa que “não sabe amamentar”. Amamentar também é uma aprendizagem não só para a mãe, mas também para o bebé e, por vezes, é necessário apoio para que os dois encontrem a forma que funciona melhor para eles. 


Mães e pais que me leem, nunca se esqueçam, a amamentação não deve ser uma prova de resistência. Se existir alguma dificuldade não hesitem em contactarem alguém com formação na área da amamentação.


 

Terapeuta Carolina Melanda 

Setembro de 2026 

 
 
 

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